Por Leonardo Concon
 

Aprendemos a gostar de ‘café preto’, primeiramente, em nossas casas. De nossos avós. Depois, foi o ‘café de buteco’, o pingado (leite e um pingo de café). Bebemos café de ‘boas vindas’ nas casas de amigos, parentes, nas empresas. Até aquele cafezinho ‘que arrepia’ que, ainda encontramos, quando pagamos a conta – e muitas vezes, acima dos três dígitos – em restaurantes que contrastam o serviço diferenciado do cardápio refinado com o ‘finalmente’ do café de garrafa, ou mal extraído, que desfaz a boa impressão inicial.

 

cafe-copo-americano

 

Mas, café é café. E, felizmente, se discute sim. Não é tabu. Os ‘experts’ dizem que vivemos ‘a terceira onda’ do café. Primeiro, o ‘boom’ da descoberta dessa bebida incrível, logo disseminada nas cafeterias do mundo.

 

Depois, vieram empresas como Starbucks, mostrando que nem todo café é igual e não é apenas com coador de pano que se extrai uma bebida apreciável. E foi além do grão, da torra queimada e borrachuda que aprendemos a amar (já é passado, felizmente), com as novas qualidades, a busca do padrão não apenas de exportação, mas de aromas, sabores, notas, tal qual vinho.

 

starbucks

 

E, finalmente, a onda atual: o café de qualidade, a ‘reeducação cafeinada’ como diz a ‘Pura Caffeina’ – leia-se barista Gisele Coutinho.

 

pura-caffeina

 

Abrimos um parênteses: a palavra barista foi cunhada, pra valer, no Brasil por Isabela Raposeiras (Coffee Lab, São Paulo). A Revista Vip a descreveu, certa vez: “Nascida em 1974, a carioca passou pelas carreiras de dançarina, atriz e professora de inglês até se dedicar exclusivamente ao café”. “Eu precisava de grana para pagar a faculdade quando uma amiga me convidou para ajudar a montar um café em São Paulo”, conta ela, cuja pouca experiência no ramo vinha de observar os negócios dos pais, ex-donos de restaurantes e um pub. Deu pé. Do primeiro balcão de cafeteria, em 2000, ao primeiro campeonato mundial de baristas, o começo da carreira de Isabela foi pródigo e rápido”, escreveu Rodrigo Levino.

 

Raposeiras-Foto-Luiz-Maximiano

 

Hoje, graças ao seu empenho, ao longo desses 16 anos, ser barista não é ser ‘garçom que serve café’. Muito pelo contrário, ela e outros profissionais dão cursos especializados, extensos e profundos, sobre o assunto, que vão além das 8 gramas de café para cada xícara de coado, ou ser for expresso, 18 gramas bem apertadas na máquina.

 

O Coffee Lab é um sobrado arejado e aconchegante na Vila Madalena, e não vou escrever mais nada. Leia a reportagem do Coffee Blog aqui. Stéphanie Albuquerque, de forma bem descontraída, fala sobre este laboratório de café onde podemos experimentar café como quisermos, inclusive sem a ditadura do ‘não tome com açúcar’. Cada um é cada um.

 

Eu vou escrevendo e preciso terminar logo. O que quero dizer nesse artigo é que o café nos inspira e mitos são derrubados pelos cientistas de que café faz mal (tudo faz mal em excesso, concorda?). Fuja um pouco do ‘café de mercado’ (exceto se, lendo o rótulo, tiver procedência, se for 100% arábica e, melhor, se for gourmet – acima de 80 pontos em escala internacional). Procure por cafeterias, mesmo que pequenas, mas que tenham métodos de extração que vão do coado com a ‘mariquinha’ (tem cafeteria que leva o coador de pano até à sua mesa e você mesmo se serve, como, em Recife, o Feito a Grão), passando por Aeropress, V60 (Hario), Kalitta, e outros que ainda descreveremos passo a passo, neste espaço destinado a ‘cafezices’.

 

coando-cafe

 

Cheire o café que recebe. Perceba as notas, tente adivinhar sabores, e até a doçura (assim pode largar o açúcar tradicional). Procure saber da origem, do Estado de origem, do sítio, da altitude do cafezal, quando foi torrado. Irá perceber, aos poucos, que aquele café que aprendemos a tomar, com tanto gosto, e que ainda nos traz boas lembranças, vai cedendo lugar para novas experiências.

 

E, uma última sugestão: não sabe por onde começar? Fácil. Faça como eu: assine cafés mensalmente. Isso mesmo, receberá em casa, confortavelmente, a quantidade escolhida, e sempre um café de extrema qualidade. Duas dicas: Grão Gourmet.Com e Moka Clube. O Grão, terá até o cuidado, o carinho, da embalagem, de Renata Kurusu Gancev e seu marido. E do Moka, um café igualmente bem apresentado, com embalagem reaproveitável e cartão postal contado a origem do café do mês, e como um dos empreendedores tem o Hugo Rocco, atual campeão do 2º Campeonato de Aeropress do Brasil.

 

assinatura-de-cafes

 

Bons cafés.

 

Leonardo Concon, o agente 007 do caféLeonardo Concon

Leonardo Concon é jornalista, como tal amante de café, responsável pelo portal Diário de Olímpia e que tem um Canto do Café extremamente bem cuidado em sua Redação. Afinal, Café com notícias é melhor ainda.

1 Comment

Izzy Alvarenga · 19 de abril de 2017 às 19:13

Adoreii o blog, estão de parabens!

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